Feito com IA, feito por humanos: o experimento Monet e a percepção de valor no marketing

O experimento que enganou a internet revela o real motivo por trás da desconfiança com a IA. O valor do marketing digital permanece na sensibilidade humana.

Sim, este texto foi feito com uma inteligência artificial, mas feito por humanos. Os insights, as provocações e a curadoria por trás dele pertencem inteiramente ao nosso Publicitário e Diretor de Criação, Fábio Campanhol. Já a revisão, percepções textuais, escolhas gramaticais e de tom de voz, pertencem ao nosso time de conteúdo.

Durante mais uma de nossas edições da Friday na Avanti (nossos encontros semanais dedicados a debater o impacto da IA em nossa rotina), o Fábio trouxe um caso intrigante que serve para repensarmos a forma como o mercado consome e julga conteúdos automatizados.

O Experimento Monet: a internet caiu na pegadinha

Tudo começou com uma postagem no X (antigo Twitter) feita por SHLOMS, um artista conceitual conhecido por satirizar e expor as contradições do mercado de arte. Ele publicou uma imagem digital de uma pintura impressionista, apagou a assinatura do canto da tela e lançou um desafio categórico ao público: detalhar as razões pelas quais aquela inteligência artificial havia gerado uma obra inferior a um quadro verdadeiro de Claude Monet.

As reações foram imediatas e volumosas. “Críticos” de arte virtuais e usuários da plataforma elaboraram análises profundas, apontando que a imagem carecia de intuição, que as arestas eram excessivamente suaves e que a falta de uma mistura óptica perfeita denunciava a frieza robótica do algoritmo.

O veredito da internet parecia consolidado, até que o artista revelou a verdade: a imagem não havia sido gerada por nenhuma tecnologia recente, tratava-se de uma fotografia em alta definição de Nenúfares, uma tela real pintada pelo próprio Claude Monet em 1914.
A provocação foi tão bem-sucedida que os prints das críticas do público foram transformados em um NFT ironicamente batizado de Inferior Image, arrematado pelo valor de 42.500 dólares.

O paradoxo da rejeição à Inteligência Artificial

Esse experimento nos ensina lições valiosas sobre o comportamento humano na era digital. A primeira é que a maioria das pessoas tende a opinar e julgar antes de pesquisar. A segunda é a existência de um forte preconceito velado em relação a qualquer entrega associada à automação.

Esse comportamento se conecta diretamente com dados de pesquisas de mercado que revelam um cenário paradoxal. A rejeição atual do público não é direcionada à tecnologia de maneira isolada, mas sim à frustração provocada por promessas comerciais não cumpridas e suportes automatizados ineficientes.

Um estudo recente aponta que 62% dos consumidores acreditam que sistemas de inteligência artificial são incapazes de solucionar problemas complexos no suporte ao cliente, gerando uma clara preferência pelo atendimento humano por desconfiança das máquinas.

Em suma: o público não rejeita a inteligência artificial. O que as pessoas rejeitam é a experiência de serem mal atendidas, ignoradas ou enganadas. Como a tecnologia facilita a produção em massa de conteúdo e interações, o consumidor médio tornou-se muito mais desconfiado e atento aos sinais de artificialidade.

Ninguém compra o martelo

Essa discussão nos leva a fazer perguntas fundamentais para o nosso modelo de negócio como agência de performance. Mostrar que um layout ou um texto foi desenvolvido com o auxílio de robôs agrega valor comercial para o cliente?

O Fábio utilizou uma analogia perfeita para ilustrar esse cenário: uma construtora civil de sucesso não tenta vender seus serviços exibindo a qualidade do seu martelo ou de suas ferramentas de última geração. Ela conquista o investidor demonstrando o resultado concreto de engenharia (como o orgulho de entregar cinco casas de alto padrão em menos de um ano).

A inteligência artificial é, para nós, esse martelo otimizado. O cliente final continuará enxergando valor no profissional humano que está por trás da operação da máquina, garantindo que o conteúdo tenha profundidade e seja estruturado de uma pessoa para outra pessoa.

A tecnologia é uma ferramenta aliada como qualquer outra, mas a estratégia, o repertório e a sensibilidade humana ditam o sucesso do projeto. É por isso que a nossa equipe criativa trabalha sob uma máxima muito clara no dia a dia: feito com IA, mas feito por pessoas.

O digital nos conecta, as pessoas nos movem.

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